terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Dia 04 - Rodeio a Dr. Pedrinho - 25/12/2013


Dormimos como dois bebês e pedimos o café num horário incomum aos nossos hospedeiros... como o calor ontem foi demais e hoje sabemos que de cara teremos 8 km de uma subida fortíssima, decidimos acordar as 5:30 para tomar café às 6 hrs.

O café da manhã da Dona Irene, assim como dos outros lugares, foi impecável. Além do café, ela também nos fez lanchinhos para levarmos na viagem. O casal, muito experientes neste ramo, cuida de tudo o que precisamos, permitindo inclusive que lavemos a roupa em sua máquina e usemos seu varal. Nos sentimos muito felizes ao partir deste lugar. Foi até agora o lugar mais pessoal que estivemos, onde pudemos conversar com as pessoas e sentir o cuidado deles por nós, o que é muito bom! Aliás, a pousada funciona na casa deles, acho que não destaquei isso o suficiente.






Dona Irene e Sr. Stolf, donos na pousada
O descanso de ontem foi fundamental para o sucesso de hoje. Não temos pressa... vamos no nosso ritmo, andando, comendo, parando, fotografando e cantando. 

As paisagens, devido ao horário, ficam mais bonitas, o que nos permite umas fotos lindas.




Assim que chegamos na placa sinalizando o quarto dia, já vemos a subida...




Embora a subida seja longa, não é tão íngreme. E por ser no começo do dia, estamos bem... o clima fresco da manhã também ajuda muito. Mas sem sombra de dúvidas, a beleza do local é o maior incentivo. Posso dizer que até agora, de tudo o que vimos, as paisagens são lindíssimas!












E para ser sincera, estou tão ansiosa para chegar no  paraíso do Sr. Paulo Notari que nem sinto o cansaço do caminho. Só para se entender, Sr. Paulo é, para o 'Vale Europeu' o que o Sr. Pablito é para o 'Caminho de Santiago'... pessoas que dedicaram suas vidas em um propósito tão nobre, que farão seus nomes serem lembrados muito além de suas vidas. Li uma descrição incrível em um blog (http://www.caminhosdosertao.com.br/blog/2010/10/17/vale-europeu-4-dias-da-parte-baixa-a-alta-e-vice-versa/) e quero usar as palavras dele para descrever este lugar: 


'Um belo dia o Sr. Paulo Notari deu-se conta de que habitava o paraíso. É no Alto Ipiranga, próximo a Rodeio, na transição entre as partes baixa e alta do Circuito Vale Europeu, que ele vive. Indo além em sua constatação paradisíaca,  Sr. Notari matutou: paraíso, em grego, é jardim. Era o insight que faltava pra ele lançar-se  na voluntariosa missão de plantar 9 km de hortênsias, de um lado e outro da estrada que passa diante de sua casa. Vendo aquilo tudo florido, pensou:  falta algo. Então ele próprio arranjou um molde e produziu 64 anjos, uns de mármore, outros de concreto, todos eles candidamente segurando um arranjo de hortênsias azuis, espalhados ao longo da estrada e dos morros. Arrematou tudo com um majestoso Cristo Redentor, visível a léguas. Não deu-se por contente: “falta o Portal do Paraíso”, diz ele, apontando o local onde fará a obra de pedras para demarcar a entrada no seu éden particular.'

A descrição é perfeita. Lembro-me de repassá-la na cabeça enquanto subia e me arrepiava em alguns momentos. Quero muito conhecer e dar um abraço neste senhor que intitula-se 'O homem mais feliz do mundo'... 

Lembro-me que quando vi o primeiro Anjo do caminho dei um berro!! Pulei da bike e comecei a tirar fotos. Como ele ficava do outro lado de um riacho, ao lado da estrada, fui correndo ao que parecia uma 'casa comum' e pedi para entrar, pois tinha uma ponte ao fundo que atravessava este riacho, para poder tirar uma foto ao lado dele.







Na volta, olhei melhor o lugar que pedi para entrar e percebi que não era uma casa comum, e sim uma casa de reabilitação (dependentes químicos e A.A.). Conversamos com um dos responsáveis e desejamos que este paraíso consiga restabelecer a saúde de todos por ali!



Á partir daqui, começa a brincadeira do "contar anjos"... Alguns ficam na frente de uma casa, outros apenas em algum canto do caminho. É um momento incrível... a última coisa que me lembro é que estamos em  uma subida.















Quando a subida bate os quatro quilômetros, chegamos ao paraíso do Sr. Notari, e aqui, como já descrito, um grande Cristo e uma quantidade enorme de anjos e hortênsias, enfeitam sua casa.









Estava ansiosa por conhecer o Sr. Paulo, mas infelizmente, como não anda muito bem de saúde ele estava acamado. Por outro lado, tive o privilégio de conhecer sua incentivadora, sua esposa Ana, mas que prefere ser chamada de Nena. Passamos pelo menos uns 30 minutos conversando com ela, que passaram voando... Amei tê-la conhecido!



Os próximos 4 km também são igualmente lindos, mas sinceramente, estou tão anestesiada com tudo o que vi até ali que pedalo e dou risada...








Próximo ao 7 km do percurso



Lá no alto, há uma fonte onde pudemos nos reabastecer de água fresca para continuar.

Após a subida, contemplamos algumas descidas, paisagens e logo que nos aproximamos de Benedito Novo, seguimos acompanhando um rio muito bonito. O Sr. Almir nos disse que havia uma cachoeira lindíssima atrás de uma casa particular, cujo dono é extremamente simpático e com certeza nos levaria para conhecê-la. Para isso, quando chegássemos a uma bifurcação, teríamos de pegar a esquerda e assim o fizemos. Andamos uns 3 km até a tal casa, passando pelo sítio do "Sr. Bunda", sobrinho do dono da tal casa com a cachoeira nos fundo, mas infelizmente quando chegamos o proprietário não estava. Até insistimos um pouco, tentando achar o caminho para a gloriosa visão, mas depois de termos sido atacados por algumas vespas acabamos por desistir... uma pena, pois estava mesmo querendo conhecer as três cachoeiras que desembocam em apenas uma...




Há uma trilha atrás desta casa, que leva a uma cachoeira lindíssima
Voltamos os seis quilômetros que percorremos a mais e continuamos pelo caminho. Até a entrada que leva ao caminho da pousada Campo do Zinco tem muita descida. Embora estejamos apenas 8 km da pousada, deixaremos o local para conhecer apenas no último dia, pois queremos fechar nossa viagem por lá.

Há coisas bem bacana que acontecem em todas as nossas viagens e, neste dia, destaco o fato de termos sido reconhecidos por um casal, Andrea e Alexandre, que tem uma amiga em comum a nós, Maria Mendes, nossa madrinha de casamento. Eles vieram para cá e pedalaram os três primeiros dias e agora estão percorrendo os outros dias de carro. A Maria teria comentado com eles que Filipe e eu faríamos o caminho nesta época e assim que nos viram na estrada sabiam que éramos nós.





Na sequência, passamos em frente a única Igreja em estilo enxaimel, do Brasil.



Achávamos que o restante do caminho seria mais tranquilo, plano, no entanto, ignoramos a altimetria que mostrava mais três subidas e, devido a sensação térmica apontada na foto abaixo, nos custou toda força física e psicológica que tínhamos. 



Se posso dizer que aprendi alguma coisa em Santiago de Compostela, é que nessas horas o jeito é abaixar a cabeça e pedalar, sem pensar em mais nada (embora, confesso ter lembrado daqueles 6 km a mais que fizemos para nada)... Outra certeza, é que existem anjos reais no caminho que nos oferecem um "empurrãozinho" quando precisamos. Neste caso, a ajuda veio de uma casa, em plena subida, onde uma família muito humilde nos ofereceu água de uma fonte, muito fresca por sinal, nos permitindo até tomar um "banho" de roupa e tudo, a fim de baixar a temperatura corporal e continuarmos pedalando.

Quando começamos a nos aproximar de Dr. Pedrinho, vimos a primeira placa no Hotel onde ficaríamos e paramos para uma foto.



Quando enfim chegamos na cidade e avistamos a placa do final do percurso, combinamos fazer uma carinha que realmente exprimisse como nos sentíamos (rs). Confesso que não tive que me esforçar muito para a foto.



O hotel abriu hoje apenas para nos receber. Dona Lúcia e Elmar, proprietários do hotel, fizeram esta bondade devido a insistentes pedidos que fiz. Assim que chegamos, fizemos a nossa "via sacra" banho / lavar roupa / e descansar um pouquinho antes do jantar que a própria Dona Lúcia nos fez, devido a ser dia 25/12 e com certeza estar tudo fechado na cidade.







Hoje de manhã, antes de partirmos, perguntei a Dona Irene se ela sabia onde ficava a gruta Nossa Sra. de Fátima. Li sobre este lugar e soube que era muito bonito, mas infelizmente ela disse que não sabia onde ficava. Coisas que não se explicam, enquanto ainda jantávamos, o Sr. Elmar nos faz a seguinte proposta: 'Caso vocês comam bem rápido, levo-os em alguns pontos turísticos de Dr. Pedrinho.' Como duas crianças, passamos a enfiar tudo na boca e assim que terminamos pergunto: 'Onde nos levará?' ao que me responde: 'Na gruta N. Sra. de Fátima'. Dou risada, corro até o quarto para pegar minha câmera e partimos de carro em direção a tal gruta. Ela realmente é muito bonita! Na sequência, vamos a uma outra cachoeira chamada Cascata Salto Donner.










Cascata Salto Donner
Apesar de ter sido um dia cansativo, descrevo-o como um dia incrível, um dos melhores! Não preciso nem dizer que, apesar do calor, dormimos como dois bebês...

Não esqueci do Quebra-Nozes, mas hoje, definitivamente não encontrei...

Previsão do Tempo:



2 comentários:

  1. suas fotos estão lindissimas, seu diario fantastico para mim vc é uma escritora.amo vc bjs

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    1. Para a mamãe, tudo o que o filho fizer é lindo, não vale kkkkk

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